É preciso saber somar para crescer


O mau desempenho na disciplina de matemática, revelado no relatório apresentado pelo movimento “Todos pela Educação”, joga luz sobre uma realidade já bem conhecida, mas que precisa ser mudada com urgência. O estudo aponta que apenas um em cada 10 jovens consegue aprender matemática de forma satisfatória ao fim do Ensino Médio. Esse resultado tem raízes no próprio cotidiano do brasileiro. Antes mesmo de o aluno entrar numa sala de aula, seja em casa com a família ou em uma roda de amigos, a aversão à matemática é um tema recorrente.

A matemática é descrita como uma disciplina rígida, que não dá espaço para a criatividade. Essa percepção muitas vezes é passada pelos pais aos filhos e reproduzida, de maneira massiva, pelos meios de comunicação. Aliado a isso, há uma realidade em nosso sistema de ensino que em nada colabora para inverter esse quadro. Na grande maioria das escolas, as aulas obedecem ao mesmo padrão de dezenas de anos: repetitivas, sem inovação nem criatividade, com livros didáticos desinteressantes. Tudo é muito mecanizado. E chato; muito chato. Nada que estimule o aluno a pensar. Sendo assim, aulas pouco dinâmicas, alunos desinteressados, professores com formação deficiente e uma boa dose de preconceito se aliam para a má formação de milhares de brasileiros. Afinal, não saber calcular é também uma espécie de analfabetismo.

A matemática é uma ciência rica, que estimula o raciocínio e permeia vários outros conhecimentos. Como o português, é uma ciência cumulativa de conhecimento em que é preciso aprender bem um conteúdo prévio para compreender o posterior. De nada adianta termos excelentes centros de formação técnica ou universidades públicas se os nossos alunos não são capazes de acompanhar o aprendizado pela ausência do conhecimento que deveria ter sido obtido no início de sua vida acadêmica. Essa dificuldade ainda é um dos maiores entraves da educação brasileira.

No Cursinho da Poli temos alguns casos em que os alunos não conseguem acompanhar o conteúdo transmitido na sala de aula, justamente porque há uma deficiência vinda da etapa anterior. Para tentar sanar essa defasagem, promovemos módulos adicionais de matemática básica para oferecer ao aluno o conhecimento prévio necessário para o acompanhamento de todo o programa curricular. Essa situação reflete um quadro ruim e crônico da educação básica no Brasil. Uma realidade lamentável, que não é surpresa para ninguém. E diante dela não podemos deixar de nos indignar.

Todos pela Educação é um movimento da sociedade civil brasileira criado com a missão especial de contribuir para que, até 2022, ano em que o Brasil completará 200 anos de independência, todas as crianças e jovens tenham uma educação básica de qualidade. Para que esta meta se concretize, é preciso reverter esse resultado negativo e isso também depende de investir mais nos professores para que sejam preparados para dar aulas motivadoras e instigantes, e para que mostrem ao aluno a importância da matemática em seu dia a dia. Nesse momento em que vislumbramos uma trajetória de crescimento econômico com aumento de inclusão social, nossa educação não pode ficar na contramão.

A Índia, um país em desenvolvimento como o Brasil, está dando um baile nos brasileiros nessa área; isso porque as crianças aprendem matemática antes mesmo de aprender a ler. Somos capazes e temos recursos para alavancar o país e mudar essa realidade. Temos uma meta e precisamos alcançá-la rapidamente para que no próximo relatório sejamos realmente – e positivamente – surpreendidos.

 

 


Professor Giba

Gilberto Alvarez Giusepone Jr. é presidente da Fundação Polisaber.